Telefonema via internet ganha espaço
O Estado de São Paulo (em 15/03/2005)
Renato Cruz
A telefonia sobre protocolo de internet (IP, na sigla em inglês), que reduz
drasticamente os preços das telecomunicações, não é exclusividade
de grandes empresas ou países do primeiro mundo. O analista de sistemas
Maurício Fernandes Pacheco, de 37 anos, tem um telefone fixo do Rio de
Janeiro instalado no computador de sua casa em São Paulo, que permite
a ele e a sua família ligarem para parentes e amigos no Rio, sem pagar
longa distância. 'Meus pais, que não usam a internet, recebem a
chamada direto no telefone', explicou Pacheco, que também consegue receber
no PC ligações de telefones convencionais.
Ele reduziu em 80% os gastos com ligações para fora de São
Paulo, que chegavam a R$ 300.
Ironicamente, o que permite a ele usar o telefone fornecido pela operadora GVT, é uma
conexão de internet rápida Speedy Light, da Telefônica. Enquanto
as concessionárias, como a Telefônica, investem na chamada banda
larga, para aumentar sua receita por cliente, as concorrentes se aproveitam do
acesso rápido para oferecer telefonia mais barata. 'É difícil
mensurar o impacto', afirmou o presidente da Associação Brasileira
de Prestadoras de Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix), José Fernandes
Pauletti. 'Hoje as fixas estão perdendo mais tráfego para o telefone
móvel do que para o IP.' As grandes concessionárias (Telefônica,
Telemar e Brasil Telecom), todas associadas à Abrafix, têm soluções
de telefonia IP para grandes corporações. Na visão de Pauletti,
ainda vai demorar um ano ou mais para começarem a oferecê-las também
ao cliente residencial.
Além da GVT, as empresas Primeira Escolha e Transit já oferecem
telefonia IP. Um anúncio esperado para breve pelo mercado, que deve causar
grande impacto, é o uso da rede da Net pela Embratel para a telefonia.
Também com tecnologia de internet.
Pacheco optou por fazer ligações de seu micro. Existe, porém,
a alternativa de chamar de um telefone comum, conectado ao modem de banda larga.
'Em fevereiro, lançamos um equipamento que se chama Ata', apontou Vicente
Barsted, gerente de Marketing da GVT. Sigla de Adaptador de Telefone Analógico,
o dispositivo custa R$ 400. O pacote assinado pelo analista de sistemas custa
R$ 30, com direito a 180 minutos de conversação.
Os pais e irmãos de Pacheco e de sua mulher Valéria moram no Rio.
Valéria é dentista e passa dois dias por semana lá, onde
também tem consultório. 'Nesses dias, nos comunicamos pelo telefone
IP', explicou Pacheco, acrescentando que os três filhos do casal também
usam.
Desde setembro, quando lançou o serviço, a GVT já conquistou
cerca de 2 mil clientes de telefonia IP. Como a pessoa pode estar em uma cidade
e contratar o número de outra, aconteceu um fenômeno interessante:
85% dos clientes estão na área original da empresa, que compreende
o Centro-Sul do País. Apesar disso, 46% dos números vendidos são
de São Paulo, que não pertence a essa área. Em 2009, segundo
estimativas de mercado, haverá no Brasil perto de 3 milhões de
telefones IP. No Japão já existem cerca de 5 milhões de
linhas IP. Nos EUA, perto de 1 milhão.
Informações complementares no site: http://link.estadao.com.br