O ano de 2008 começou com as melhores projeções possíveis e expectativas concretas de recorde em vendas de imóveis lançados. No ano anterior, o crédito imobiliário já apontava como um fator de aumento nos negócios. A política econômica permitiu o acesso ao crédito a um número maior de consumidores, graças a diminuição na taxas de juros, aliada ao aumento no prazo da quitação das dívidas.
Se a economia brasileira ia bem, o mesmo não se aplicava a dos EUA. Em meados do segundo semestre, a crise do subprime, arrastou os principais bancos americanos e levou consigo outros importantes da Europa. Foi nesse período que os bancos com atuação no país, ficaram mais conservadores e impuseram restrições maiores para a aquisição da carta de crédito.
A medida teve efeito imediato. As construtoras receosas que seus lançamentos pudessem encalhar, praticamente paralisou a produção de empreendimentos e passou a enfocar na venda de avulsos. De setembro de 2008, início da crise no Brasil até fevereiro de 2009, o número de empreendimentos lançados foi 386% menor do que em setembro de 2007 a fevereiro de 2008. Em unidades, houve um decréscimo da ordem de 341% durante o mesmo período, como demonstra o quadro abaixo:
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Contudo, a crise não teve o mesmo efeito devastador em outros setores da economia. Mesmo com a queda de 3,6% do PIB no último trimestre de 2008, o Brasil fechou o ano com aumento de 5,1%. Verifica-se que a região Nordeste diminuiu os lançamentos em mais de 90% porém esta é a região que cresce mais rápido no país. Desde 2001, o crescimento da economia do Nordeste é superior a média nacional. E vale destacar que não é apenas um único setor que cresce, mas pólos diversificados como o petroquímico de Camaçari (19%), produção de papel e celulose em Eunápolis (24%) e agricultura, principalmente no plantio de soja em Balsas e Uruçi (17%). O Nordeste terminou 2008 com crescimento de 5,5%, ou seja, acima da média nacional.
O Centro-oeste também demonstrou queda nos lançamentos (82%), mas outros setores da economia da região, principalmente a agricultura mostra que o crescimento pode ter chegado a 40,6%, segundo estimativas do Ministério da Agricultura. O norte, a cada ano, apresenta curva ascendente no que diz respeito a participação total do PIB nacional. Porém, o mercado de lançamentos, assim como em outras regiões, também demonstrou queda no período verificado: 81%.
As regiões Sul e Sudeste, consideradas mais industrializadas, também sofreram decréscimo no número de lançamentos: 70% e 62%, respectivamente. Em contrapartida, a Petrobrás anunciou recorde de investimentos em 2008: R$ 53,3 bilhões de reais, 18% a mais que em 2007. Na comercialização de veículos em 2008, mais de 60% foram financiados, batendo o recorde de crédito para aquisição de veículos, superando em mais de R$ 26 bilhões o ano de 2007.
Mesmo com alguns números positivos, a indústria foi o setor que apresentou a maior perda do PIB (-7,4%) em comparação com outros setores medidos pelo IBGE, justamente onde se insere a construção civil.

Apesar de estar intimamente ligado ao epicentro da crise, que é a oferta de crédito, pode-se afirmar que o setor imobiliário exagerou na redução de lançamentos, haja vista, que outros setores da economia continuaram a crescer ou apresentaram leve retração.
Além disso, não houve diminuição da procura, principalmente para os públicos de média e baixa renda e localizados fora das principais capitais do país. Nesses casos, a procura continua igual ou maior do que no início da crise. Espera-se com expectativa o pacote habitacional a ser anunciado pelo governo federal para que possa servir de retomada do mercado como um todo.
O uso de ferramentas de pesquisa pode apontar dados sobre mercados de prospecção (como e qual produto lançar) para conseguir melhores resultados nesse período de crise, com possibilidades de grandes lucros.
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